Como Criar um Delivery Próprio
Depender só de marketplace come a margem. Este guia mostra como montar um delivery próprio: canal, cardápio, pedidos, logística e taxa, com números reais.
Por Equipe Peddiu · Especialistas em Gestão de Restaurantes
Delivery12 min de leitura
Se o seu restaurante, lanchonete ou pizzaria vive de marketplace, você já sentiu o aperto: o pedido entra, a cozinha produz, o motoboy sai e, no fim do mês, a comissão come 23% a 27% de cada venda. Em um pedido de R$ 48,00, isso é cerca de R$ 11,00 a R$ 13,00 que não ficam com você. Em 80 pedidos por dia, a conta passa fácil de R$ 880,00 diários só de taxa. Um delivery próprio não é desligar o aplicativo da noite para o dia. É construir um canal em que o cliente pede direto da sua marca, você fica com a margem e ainda guarda telefone e histórico para trazer essa pessoa de volta.
Este guia é para dono que opera no dia a dia, não para teoria de consultoria. Você vai sair daqui com canal definido, cardápio que vende sozinho, operação de pedidos, conta de taxa e um plano de 30 dias para lançar o canal próprio sem travar a cozinha.
Por que o marketplace sozinho não fecha a conta
Marketplace funciona como vitrine. Ele coloca o seu nome na frente de quem ainda não te conhece. O problema começa quando 80% ou 90% do faturamento passa por lá e você não tem outro caminho. A plataforma define visibilidade, promoção e, muitas vezes, o preço que o cliente vê. Você paga para aparecer, paga de novo na comissão e ainda não fica com o contato de quem pediu.
Faça a conta com o seu número, não com média de internet. Pegue o faturamento de delivery do mês passado. Multiplique por 0,25. Esse é um proxy honesto do que some em comissão e taxas. Se você faturou R$ 45.000 em delivery no marketplace, cerca de R$ 11.250 foram embora. Com um delivery próprio, a mesma venda pode custar uma assinatura fixa, motoboy e embalagem, sem percentual em cima de cada pedido.
Há um segundo custo invisível: o cliente não é seu. Sem telefone e histórico, cada pedido novo no aplicativo é, de novo, um cliente frio. No canal próprio, o segundo e o terceiro pedido saem quase sem custo de aquisição.
O que você precisa ter antes de abrir o canal
Delivery próprio não é só um link no Instagram. Sem um conjunto mínimo, o pedido entra torto e a equipe volta para o WhatsApp no primeiro sábado cheio. Você precisa de: um canal único (bio, QR e WhatsApp apontando para o mesmo lugar), um cardápio digital com foto e complemento, uma fila de pedidos que a cozinha leia, uma regra de entrega (raio, tempo, taxa e mínimo) e um jeito de pagar o motoboy que caiba no ticket. Faltou uma peça, o canal vira um segundo caos.
Defina o canal por onde o cliente vai pedir
O erro clássico é abrir cinco portas ao mesmo tempo: um PDF no Instagram, uma tabela no WhatsApp, um cardápio no Google, um formulário e ainda o marketplace. O cliente se perde e a cozinha recebe o mesmo pedido duas vezes. Escolha um destino e faça todo o resto apontar para ele.
Na prática, os três pontos de entrada que mais funcionam juntos são estes.
- Link na bio do Instagram e do TikTok, sempre o mesmo, sem mudar toda semana
- WhatsApp com mensagem automática mandando para o cardápio, em vez de anotar pedido na conversa
- QR Code no salão, no balcão, na embalagem e no flyer do motoboy
Uma árvore de links resolve a bagunça da bio: um endereço só com cardápio, WhatsApp, localização e promoção da semana. Quem clica já sabe o que fazer. Quem pede no salão aponta o celular para o QR. Quem recebeu marmita pelo iFood encontra o QR na embalagem e, na próxima fome, pode pular a comissão.
Não peça para o cliente baixar app. Quem exige download perde pedido na hora do almoço, com pressa e dados móveis fracos. Cardápio no navegador, com link curto, é o caminho que o Brasil já entendeu.
Monte um cardápio que venda sozinho
PDF e foto de quadro negro não são cardápio de delivery. O cliente precisa ver o produto, entender o preço final e montar o pedido sem te perguntar “tem cheddar?”. Cada pergunta que volta no WhatsApp é um pedido que demora e um risco de erro.
Organize o cardápio como a cozinha trabalha, não como um catálogo bonito. Categorias claras: burgers, combos, porções, bebidas, sobremesas. Dentro de cada item, preço cheio, foto real (mesmo que simples, tirada com celular e luz boa) e complementos obrigatórios e opcionais. Uma pizza com borda, sabor e adicional mal configurados gera 15 mensagens. Bem configurada, gera um pedido só.
Números que importam: foto decente aumenta conversão; combo de R$ 42 com refri e batata sobe o ticket em R$ 8 a R$ 12 frente ao lanche de R$ 32; complemento de R$ 3 a R$ 6 em 100 pedidos vira R$ 300 a R$ 600 no dia. Item esgotado precisa sumir do cardápio em minutos.
O cardápio digital da Peddiu nasce para isso: o cliente pede pelo celular, sem app, e o pedido chega organizado. Você muda preço e disponibilidade no portal, sem reimprimir nada.
Organize a operação para o pedido não virar WhatsApp de novo
O canal próprio fracassa quando o pedido cai em um celular de atendente e ninguém sabe o status. Sábado às 20h, três pessoas perguntando “saiu?”, um endereço incompleto e a pizza esfriando no balcão. Delivery próprio exige a mesma disciplina de um PDV: pedido entra, cozinha vê, motoboy assume, cliente acompanha.
Três regras simples salvam o primeiro mês:
- Um lugar só para ver pedido. Delivery, retirada e, se quiser, mesa no mesmo fluxo. Misturar iFood num celular, WhatsApp no outro e papel na parede é garantia de atraso
- Status visível. Recebido, em preparo, pronto, saiu para entrega, entregue. Sem status, todo mundo grita
- Cozinha lendo item, não conversa. KDS ou tela de produção com sabor, observação e horário. Print de WhatsApp não é ordem de produção
Se você ainda anota no caderno, comece por um gestor de pedidos e pela tela da cozinha. Um sistema de delivery barato e sem comissão por pedido custa menos do que um único sábado de erro: pizza errada, reentrega e cliente que não volta.
Dois pedidos errados por noite, a R$ 45 cada, são R$ 90 de produto mais a reputação. Em 25 noites, R$ 2.250 no mês, sem contar a segunda viagem do motoboy.
Calcule taxa, pedido mínimo e custo real da entrega
Aqui muita gente quebra a margem sem perceber. Cobra taxa de R$ 5 “para não perder cliente” e o motoboy custa R$ 8. Ou libera entrega grátis em qualquer valor e enche a moto de pedido de R$ 18. Delivery próprio só é melhor que marketplace se a conta fechar.
Use três números do seu mês:
- Ticket médio do delivery (some o faturamento e divida pela quantidade de pedidos)
- Custo do motoboy por corrida (fixo por entrega, diária dividida pelas corridas, ou app de motoboy)
- Custo de embalagem por pedido (marmita, sacola, talher, lacre)
Exemplo de lanchonete em bairro:
- Ticket médio: R$ 44
- Motoboy: R$ 7 por entrega
- Embalagem: R$ 2,50
- Custo variável da entrega: R$ 9,50
Se você cobra taxa de R$ 6, ainda sobram R$ 3,50 saindo do prato. Isso pode ser aceitável se o prato tem margem boa. Não é aceitável se o pedido mínimo é R$ 20 e o cliente pede só um suco e um salgado. Defina pedido mínimo perto de 70% a 80% do ticket médio. No exemplo, mínimo de R$ 32 a R$ 35. Abaixo disso, só retirada no balcão.
Raio de entrega também é margem. Comece com 3 a 4 km no entorno. Acima disso, o tempo explode, a pizza esfria e o motoboy faz menos corridas por hora. Você pode ter taxa maior para um segundo anel (4 a 6 km) em vez de recusar todo mundo. O que não dá é prometer 30 minutos a 8 km no horário de pico.
Compare a comissão do aplicativo com o custo real por pedido. Em 10 minutos você vê se o canal próprio já paga a assinatura no primeiro fim de semana.
Na logística, o que importa é custo por entrega e tempo de ciclo, não o colete com logo. Motoboy fixo por turno funciona com 40 ou mais corridas no período. Pago por entrega (R$ 6 a R$ 10) é melhor no começo. Híbrido (um fixo no pico e extra no sábado) evita moto parada na terça e caos no fim de semana. Juntar 3 pedidos do mesmo bairro em 8 minutos rende mais do que uma moto por sacola. Prazo honesto de 40 a 60 minutos no pico vende mais do que “super rápido” mentiroso.
Divulgue o canal próprio em cima do pedido que você já tem
Você não precisa de agência para lançar delivery próprio. Precisa repetir o mesmo link até ficar óbvio. O melhor público é quem já comprou de você: no salão, no WhatsApp antigo e no marketplace.
Mantenha o mesmo pacote por 30 dias: QR e cupom CASA10 na embalagem do marketplace; stories com o botão de pedir, não só a foto do prato; QR na mesa e no caixa; WhatsApp só com mensagem automática e o link; “peça pelo site” no Google e no cartão do motoboy.
Cupom de primeira compra direta precisa de regra. 10% em pedido acima de R$ 40, válido 7 dias, é melhor do que 20% sem mínimo. Se 15 clientes do iFood migrarem na semana, com ticket de R$ 44, você fez R$ 660 sem comissão. Em quatro semanas, R$ 2.640. Isso já paga a ferramenta.
Se quiser ir mais fundo na lógica de sair da dependência do aplicativo, leia o guia como vender sem iFood. A transição inteligente é equilíbrio: marketplace traz gente nova, canal próprio fica com quem repetiria o pedido de qualquer jeito.
Objeções que travam o dono (e a resposta com número)
“Meu cliente só pede no iFood.” Parte pede no iFood porque é o único jeito fácil que você ofereceu. Se 25% dos pedidos saírem do canal próprio, a comissão do restante dói menos e a margem sobe.
“Não tenho motoboy.” Você já entrega para o marketplace. O canal próprio usa a mesma logística. A diferença é quem fica com o valor do prato.
“Vou perder visibilidade.” Não desligue o aplicativo no primeiro dia. Mantenha a vitrine e construa o canal. Em 90 dias você decide o mix com número, não com medo.
“Sistema é caro.” Comissão de R$ 11 em um pedido de R$ 48, vezes 20 pedidos, é R$ 220 em um sábado. A Peddiu parte de R$ 99,90 por mês, sem comissão por pedido, com 30 dias grátis. Você já paga isso todo fim de semana para a plataforma.
“Minha equipe não vai usar.” Equipe usa o que tira retrabalho. Pedido limpo na tela acaba com letra ilegível. Treine um turno. O segundo copia o primeiro.
Plano de 30 dias para sair do papel
Semana 1: cadastre o cardápio com foto dos 15 itens que mais saem, defina raio, taxa e mínimo, imprima o QR e configure a mensagem automática do WhatsApp. Semana 2: abra só para retirada e um bairro-teste. Semana 3: QR em toda embalagem do marketplace e cupom de primeira compra direta. Semana 4: meça pedidos próprios, ticket desses pedidos e tempo de entrega. Se já cobre assinatura e motoboy, escale a divulgação. Se o tempo estourou, reduza o raio antes de anunciar.
Conclusão
Criar um delivery próprio é decidir que o cliente e a margem pertencem ao restaurante, não à plataforma. Você precisa de um link só, um cardápio que o cliente usa sozinho, uma fila de pedidos que a cozinha entende e uma conta honesta de taxa e motoboy. O marketplace pode continuar como vitrine. O crescimento de verdade acontece quando o pedido recorrente deixa de pagar comissão.
A Peddiu reúne cardápio digital, portal, PDV, KDS e gestão de delivery em assinatura a partir de R$ 99,90 por mês, com 30 dias grátis e sem comissão por pedido. Teste o plano e lance o seu canal próprio com a operação já organizada.